Fundão
História e Lendas
Na Cova da Beira a casa típica tinha uma loja para o gado e um sobrado para
habitação. O acesso fazia-se pelo exterior, por escada. A varanda tinha um
alpendre em pedra ou madeira. Algumas casas eram cobertas de colmo, outras de
lousa. Mais a sul desaparece o alpendre. Na casa de entrada era uso haver a
cantareira com as louças e copos.
O trabalho do linho teve as suas
tradições no concelho do Fundão. Era usado para fazer as roupas para uso
doméstico e também para vestuário. Tecido artesanal, o linho servia muitas vezes
para pagar as rendas e os foros. Na preparação do linho havia toda uma série de
tarefas que tinham de ser respeitadas: desde o semear até ao produto final,
percorria-se um caminho difícil. Quando se apanhava em Junho, ripava-se o caule
para se separar da semente. Durante 6 ou 8 dias colocava-se de molho em água. Em
seguida deixava-se secar cerca de 15 dias. Depois era tascado, espadulado e
fiado. A barrela servia para tornar o fio mais branco. Logo depois era altura de
dobar e tecer. Dele resultavam bonitas peças fabricadas em teares artesanais.
Actualmente funcionam teares em Bogas do Meio e Janeiro de Cima, duas freguesias
do concelho do Fundão, e estas peças podem ser adquiridas no comércio
tradicional.
Também a indústria resultante da
criação de bichos da sede teve os seus dias áureos. A maior parte dos casulos
iam para a França a bom preço. Agora a produção da seda praticamente
desapareceu. O Marquês de Pombal tentou, com algumas medidas, aperfeiçoar a
manufactura dos panos que se faziam no Fundão. Os engenhos funcionavam na
Ribeira de “Alcambar” e os tecelões e tintureiros na aldeia próxima. Este
governante criou uma fábrica real que actualmente é os Paços do Município.
Quando em 1821, passou para as mãos
de particulares, rapidamente entrou em decadência.